Mitos sobre a mudança climática (e a verdade por trás deles) | Parte I

A mudança climática é um dos maiores desafios dos tempos atuais, e é nossa responsabilidade enfrentá-la com urgência. E, considerando que a falta de informação pode ser algo extremamente prejudicial para o diálogo sobre esse assunto (que já é tão polêmico em várias partes do mundo), o conhecimento sempre deve ser a chave para a mudança. Pensando nisso, com base em informações da WWF, selecionamos 8 mitos sobre a mudança climática e contamos a verdade por trás deles.

1. O CO2 não é um poluente, é um gás que as plantas, as colheiras e as árvores precisam para crescer.

Embora essa informação seja verdadeira, isso não impede a mudança climática de acontecer.

Sim, as plantas precisam de dióxido de carbono (CO2) para a fotossíntese, da mesma forma que os seres humanos precisam de oxigênio para respirar. De fato, as florestas do mundo armazenam e reciclam enormes quantidades de carbono. No entanto, há um limite para a quantidade que pode ser armazenada em qualquer área florestal, e com o aumento do desmatamento esse limite está ficando cada vez menor. O CO2 em si não causa problemas, ele faz parte do ecossistema global natural. O problema é causado pela quantidade liberada pela atividade humana: não há esse nível de CO2 na atmosfera há 800.000 anos.

Nossas emissões de carbono estão contribuindo para o efeito estufa, que aprisiona o calor na atmosfera e torna a Terra cade vez mais quente.

2. “A mudança climática existe há 5 milhões de anos, seus tolos!”

Em seu sentido básico, essa afirmação é verdadeira. O clima da Terra passa por ciclos naturais de aquecimento e resfriamento. Mas nosso aquecimento atual está completamente fora de sincronia com os ciclos anteriores – e é muito mais alto!

No entanto, quando falamos sobre a mudança climática hoje, nos referimos a uma mudança climática antropogênica (causada pelo homem). A temperatura média da Terra está aquecendo por causa de atividades humanas, como queima de carvão, petróleo e gás para produzir energia, e pelo desmatamento de árvores para abrir caminho para a agricultura. A mudança climática está acontecendo atualmente em um nível que não pode ser explicada apenas por fatores naturais. As temperaturas globais vêm subindo há mais de um século, e se aceleraram nos últimos 30 anos. Agora, os índices são os mais altos desde o início dos registros.

A comunidade científica global concorda amplamente que o aquecimento que estamos experimentando é causado pelo homem.

3. Alguns graus não importam

Durante a última era glacial, que terminou há 12 mil anos, a temperatura média mundial era apenas 4 a 5 °C mais fria do que é hoje. No entanto, esses poucos graus fizeram uma diferença drástica: partes da Grã-Bretanha estavam abaixo de mais de 1km de gelo e os níveis do mar estavam cerca de 100 metros mais baixos do que são atualmente.

Então, sim, apenas alguns graus podem ter efeitos muito dramáticos.

Estamos vendo os efeitos e impactos reais da mudança climática na natureza e nas pessoas em todo o mundo. Para evitar os piores impactos, precisamos manter o já inevitável aumento em apenas 1,5 °C. Podemos fazer isso cortando as emissões de gases de efeito estufa da energia que produzimos, dos prédios em que vivemos, da maneira como viajamos, dos produtos que fabricamos e dos alimentos que comemos.

4. O número de ursos polares aumentou. Eles, obviamente, se beneficiam da mudança climática

Isso não é verdade. A mudança climática é a mais séria ameaça enfrentada pelos maiores carnívoros terrestres do planeta. O Ártico está se aquecendo aproximadamente duas vezes mais rápido que a média global, e o gelo marinho está derretendo mais cedo e se formando mais tarde a cada ano. Isso faz com que seja mais difícil para as fêmeas chegarem às terras ao final do outono para construir suas tocas, e voltarem para o gelo marinho na primavera para se alimentar. Em partes do Ártico, os ursos estão vivendo sem comida por mais tempo do que antes. Este jejum reduz drasticamente seu peso corporal, o que reduz sua chance de sobreviver à temporada de verão.

A perda de gelo marinho também ameaça as principais presas dos ursos polares, as focas, que dependem do gelo do mar para criar seus filhotes e descansar. Os ursos polares são considerados “vulneráveis” na lista vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) de espécies ameaçadas, com 22.000 a 31.000 ursos remanescentes em estado selvagem. E a previsão é de que os números diminuam em 30% até meados deste século. Como o principal predador da cadeia alimentar do Ártico, é vital proteger essas criaturas para garantir que o ecossistema permaneça equilibrado.


Para conferir a Parte 2, clique aqui.


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