O fim dos canudos de plástico: quanto isso ajuda o planeta e quem se prejudica com isso?

Nos últimos meses, os canudos de plástico vêm se tornando um ponto muito importante na cruzada global contra o lixo plástico. Ao redor do mundo, várias cidades, empresas e líderes mundiais se comprometeram a proibir os produtos de plástico em um esforço para diminuir a poluição marítima. Mas realmente faz sentido se concentrar neste produto em específico? Em partes.

Chelsea Rochman, professora da Universidade de Toronto que estuda poluentes em água doce, explicou que o canudo de plástico é apenas uma das partes de um problema muito maior.

“O canudo de plástico é um problema fácil de ser vencido, e isso é fantástico,” disse Chelsea. “Só espero que todos percebam que esse é um passo de muitos e que não existe solução rápida e fácil para a poluição causada pelo plástico.”

Resíduos plásticos nos oceanos e os números

Números das Nações Unidas mostram que quase nove milhões de toneladas de garrafas plásticas, embalagens e outros resíduos entram no oceano a cada ano, matando a vida marinha e entrando na cadeia alimentar humana. Desse número, os canudos de plástico representam cerca de 2.000 toneladas.

Eles também representam apenas cerca de 4% do lixo plástico em número de peças.

Isso não significa que esses números não sejam significativos. Segundo Chelsea, eles estão frequentemente entre o TOP 10 itens encontrados em limpezas de praia.

No geral, cerca de 80% de todo o lixo presente nos oceanos é formado por plástico.

Em fevereiro de 2017, a ONU lançou a campanha #CleanSeas com o objetivo de eliminar as principais fontes de lixo marinho, como produtos plásticos de uso único, até 2022.

Por que os canudos de plástico?

As Nações Unidas e políticos em individual não visarem especificamente os canudos, e grande parte do movimento começou com uma proposta da União Européia e do Reino Unido para reduzir o lixo plástico dos oceanos. Em abril, a primeira-ministra britânica Theresa May prometeu erradicar o lixo plástico até 2042 como parte de um “plano de ação nacional”. Mas sua diretriz destacou vários tipos de plásticos de uso único, que incluíam não apenas canudos, mas também cotonetes, lenços umedecidos, mexedores/misturadores e muito mais.

Parte do motivo pelo qual os canudos de plástico se tornaram um assunto tão falado foi a viralização de um vídeo, que mostra biólogos marinhos removendo um canudo da narina de uma tartaruga marinha.

Para Chelsea Rochman, foi importante o vídeo ter mostrado como essa poluição pode ferir os animais.

“Há evidências de canudos sendo os culpados, causando a morte em animais ao comê-los ou causando danos ao ficarem presos em órgãos,” disse Chelsea.

Nem todas as substituições de canudos de plástico são iguais

Cabe às empresas decidirem como irão substituir os canudos de plástico. Algumas optaram pelo papel ou por canudos compostáveis, enquanto outras estão planejando comprar os de metal, que são reutilizáveis.

A Starbucks, que é a maior empresa de alimentos e bebidas que prometeu banir os canudos de plástico globalmente até 2020, trocando por uma tampa também de plástico, mas feita de polipropileno, um material que pode ser reciclado. Já as bebidas que precisam de canudos para serem consumidas (como o Frappuccino, por exemplo) serão servidas com um canudo feito de papel ou plástico biodegradável.

Segundo Chelsea, as empresas devem escolher o substituto com sabedoria. Se não, todo o processo pode ser um desperdício de tempo e dinheiro.

“Se você vai substituir algo com plástico compostável, você precisa ter uma composteira. Na maioria das cidades ao redor do mundo, não há uma caixa verde mágica na qual possamos colocar esses materiais,” explicou Chelsea, sugerindo que as substituições de papel podem acabar sendo mais ecológicas.

Quem pode se prejudicar com o banimento canudos de plástico?

As empresas que vão dispensar o canudo ou pensam em substituições para ele, também devem considerar as dificuldades não intencionais que podem causar aos portadores de deficiências.

Vários defensores já se manifestaram dizendo que as pessoas com limitações de mobilidade precisam de canudos para consumir bebidas.

James Hicks, do Conselho Canadense de Deficiências, disse à imprensa canadense que as pessoas com deficiência estão sendo tratadas como uma reflexão tardia nas discussões.

“Uma necessidade não deve superar outra. A necessidade de bons produtos ambientais não deve superar o que é necessário para pessoas com deficiência, e vice-versa,” disse James.

Ele acrescentou que qualquer lei que envolva o uso ou banimento do canudo de plástico teria que incluir garantias de que os “utensílios” permaneçam acessíveis para aqueles que ainda precisam deles.

A conclusão que podemos tirar disso tudo é: faça as mudanças necessárias, mas pense bem nos próximos passos. Não adianta banir os canudos de plástico se eles podem ser substituídos por copos de plástico, por exemplo. Sem dúvidas, esta é uma luta extremamente válida e importante, mas deve ser feita com muita informação e planejamento.

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