Gente bonita consome fruta feia | Conheça o projeto português contra o desperdício de alimentos

Todos os anos, metade dos alimentos produzidos mundialmente é descartada. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, países desenvolvidos desperdiçam mais de 1,3 bilhões de toneladas de comida todos os anos – quantidade suficiente para alimentar 925 milhões de pessoas que passam fome no mundo todo. Em um país como Portugal, o desperdício gira em torno de 1,7 milhões de toneladas por ano.

Esse desperdício tem consequências não apenas éticas, mas também ambientais, uma vez que envolve um uso desnecessário de recursos para produção desses alimentos (como solo, energia e água), além da emissão de dióxido de carbono e metano, que se resulta da decomposição dos alimentos que não são consumidos.

Existem diversos motivos que fazem com que esse desperdício aconteça e aparecem por toda cadeia de produção de alimentos; como por exemplo os modelos de produção intensivos, armazenamento e transporte incorretos, prazos de validade muito curtos e promoções de supermercado, que fazem com que consumidores comprem uma quantidade desnecessária de produtos. Todos esses são alguns dos motivos pelos quais o desperdício de alimentos acontece.

Outro problema é que a maioria dos distribuidores tem preferência por frutas e vegetais com formatos, cores e tamanhos “perfeitos”, o que restringe o consumo de uma grande quantidade de alimentos por fatores única e exclusivamente estéticos. Esse tipo de seleção de produtos é responsável pelo desperdício de 30% dos alimentos produzidos.

Assustador, não é mesmo?

Pensando nisso, surgiu o Fruta Feia, projeto português que foi criado para quebrar esses “padrões visuais” criados para o consumo de alimentos e que não têm relação alguma com sua qualidade, nem mesmo serve para definir o quão seguro o produto está para o consumo. O projeto visa combater essa prática do mercado, alterando os padrões de consumo e criando um mercado alternativo para frutas e vegetais “feios”. Reconstruindo um sistema que valoriza agricultores e consumidores, e que pode evitar o desperdício de alimentos e também do uso desnecessário de recursos para sua produção.

O trabalho do Fruta Feia é feito em conjunto com produtores locais semanalmente, onde são reunidos em suas fazendas os alimentos grandes, pequenos ou deformados que não são considerados esteticamente “vendáveis”. Com esses produtos, são criadas caixas de dois tamanhos diferentes (uma contendo de 3 a 4 quilos e com 7 variedades de alimentos, outra de 6 a 8 quilos e com 8 variedades), que são preparadas para os consumidores cadastrados na cooperativa. Semanalmente, os consumidores se dirigem a um local predefinido e retiram suas caixas.

A iniciativa é da engenheira ambiental Isabel Soares, que criou a solução ao saber do problema de desperdício de alimentos por questões estéticas. Ela inscreveu sua ideia em um concurso de inovação, o FAZ-IOP (Ideias de Origem Portuguesa), idealizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, ficou em segundo lugar e usou o dinheiro do prêmio para implementar o projeto.

A cooperativa começou, que começou com um grupo de 40 consumidores, hoje conta com milhares deles, além de ainda ter uma lista de espera com outras milhares de pessoas. E, até hoje, a iniciativa evitou o desperdício de 630 toneladas de alimentos!

Isabel diz que tem um forte desejo de ver projetos como o Fruta Feia serem implementados ao redor do mundo, mas enquanto esse tipo de iniciativa não surge no Brasil, que tal mudar seus hábitos de consumo? Levar para casa frutas, legumes e verduras que não estão em sua melhor forma estética, mas que podem ser consumidos com segurança, é um ato concreto de combate ao desperdício.

Para saber mais sobre o Fruta Feia, assista ao vídeo abaixo, produzido pela emissora portuguesa SIC:

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