Bota na Mesa: A importância da agricultura familiar para a cidade

Os leitores mais ávidos no InovaSocial têm percebido que, mensalmente, elegemos um tema para guiar os conteúdos publicados na nossa plataforma. Não deixamos de lado as discussões cotidianas, mas gostamos de selecionar um tema para guiar o mês. Em agosto, o tema será “cidade”. Para inaugurar essa coletânea, começamos o mês com o projeto “Bota na Mesa”, uma inciativa focada em agricultura familiar e produzido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade, da FGV – EAESP.

Antes de partirmos para o projeto em si, acho que vale ressaltar um ponto sobre mobilidade. Corriqueiramente conectada aos assuntos de transporte público ou alternativas para locomoção, a mobilidade vai muito além. Ela também está ligada ao jeito de como organizamos a cidade (aliás, tem tudo a ver) e co-relacionamos os tipos de espaços dentro dela. Por exemplo, imagine ter um polo agrícola na maior metrópole da América Latina. É exatamente sobre isso que se trata o “Bota na Mesa”, um projeto que busca incluir a agricultura familiar na cadeia de alimentos de grandes centros urbanos. Tudo isso, por meio de uma rede de comércio justo, conservação ambiental e segurança alimentar e nutricional.

Só na cidade de São Paulo, são 403 propriedades focadas em agricultura familiar (350 localizadas no extremo sul da capital, segundo a prefeitura da cidade). E, por incrível que pareça, este tipo de produtor é responsável por 70% dos produtos in natura que chegam em nossas mesas, muitas vezes com valores altos, quando comparado com a comida processada. Mas por que a comida natural é mais cara então? Porque falta apoio e, na maioria das vezes, o agricultor não sabe como vender e/ou distribuir o seu produto. Além disso, os agricultores familiares são mais que pequenos produtores, seus produtos carregam importantes atributos sociais, ambientais e econômicos e representam dinâmicas territoriais específicas. Longe da realidade do campo, e em um contexto de pouco diálogo, os consumidores e grande parte dos elos envolvidos na cadeia de abastecimento tem dificuldade em valorizá-los.

Não faz sentido… não é sustentável… uma agricultura, no qual o produto anda 3-4 mil quilômetros para ser vendido.

O Bota na Mesa olhou para este cenário e se dividiu em dois ciclos. O primeiro, iniciado no segundo semestre de 2015 e estendido até o segundo semestre de 2016, teve como base a formação dos agricultores. Com a ajuda de oficinas e reuniões com nove organizações da região, o primeiro ciclo visou a criação de um plano de ação para a comercialização e/ou ampliação das vendas.

Já o segundo ciclo (do segundo semestre de 2016 ao segundo semestre de 2017), teve como objetivo a implementação dos planos de ação para cada uma das organizações participantes.

Como parte do esforço da Citi Foundation de registrar e divulgar os projetos que apoia, foi produzido um vídeo em que um dos agricultores da AIPRO – Associação Isabelense de Produtores Rurais, contou como foi a experiência de participar do Bota na Mesa. Confira abaixo!

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