Absorvendo o Tabu: O documentário sobre menstruação que ganhou um Oscar!

O Oscar nem sempre favoreceu as diretoras mulheres. Nos 91 anos de história da prêmiação, apenas cinco mulheres foram nomeadas para o prêmio de Melhor Diretor e, neste ano, mais uma vez, a categoria foi composta apenas por homens. Mas, se você voltar sua atenção para outras categorias, ainda há bons motivos para se alegrar. Um dos exemplos é Absorvendo o Tabu (Period. End of sentence.), que ganhou o prêmio de Melhor Documentário de Curta-Metragem e foi dirigido por uma mulher: Rayka Zehtabchi, uma diretora iraniana-americana de 25 anos de idade.

“Eu não estou chorando por que estou menstruada ou algo do tipo!” Disse Zehtabchi ao receber o Oscar de Melhor Documentário de Curta-Metragem. “Eu não consigo acreditar que um filme sobre menstruação acabou de ganhar um Oscar!”

Absorvendo o Tabu é um documentário que aborda o estigma em torno da menstruação na Índia e, adivinhe só: é uma produção da Netflix e pode ser assistido agora mesmo na plataforma de streaming. O filme de 26 minutos acompanha um grupo de mulheres que usam uma nova máquina para criar absorventes higiênicos de baixo custo para ter sua independência financeira e, ao mesmo tempo, melhorar a questão da higiene feminina em sua aldeia. Hoje, seus absorventes estão sendo usados em 40 aldeias na área rural da Índia. O documento também dá aos espectadores uma amostra de como a menstruação é um tabu nessas comunidades, onde 23% das meninas abandonam a escola quando atingem a puberdade devido a seus períodos menstruais.

Para Zehtabchi, ver como o estigma da menstruação estava presente na vida das mulheres foi a questão que mais a tocou durante a produção do filme.

“Alguns dos momentos mais loucos durante as filmagens foram quando conversamos com mulheres mais velhas – que tinham passado a vida inteira menstruando e deveriam conversar com suas filhas sobre a menstruação – mas não conseguiam nem nos dizer por que isso acontecia todos os meses, ou por que acontecia.”

Em 2012, a professora Melissa Burton, de Los Angeles, reuniu estudantes e funcionários para viajar a Kathikhera, na Índia, para montar a máquina de fabricação de absorventes que aparece no documentário. Mas depois da viagem, eles queriam fazer mais do que apenas instalar uma máquina: eles queriam iniciar uma conversa sobre o estigma da menstruação ao redor do mundo. E assim, o documentário nasceu. Mesmo que o filme tenha recebido um reconhecimento tão incrível, a missão de Zehtabchi e do projeto, nomeado The Pad Project, permaneceu a mesma: espalhar o máximo de conhecimento possível sobre o assunto.

“Após assistirem ao filme, espero que as pessoas entendam que o estigma em torno da menstruação não afeta apenas as pessoas na Índia, nós vemos isso nos Estados Unidos e em outras culturas também”, diz Zehtabchi. “Eu também quero que os espectadores percebam que capacitar as mulheres em todo o mundo realmente começa com a abertura da conversa sobre a menstruação. Podemos implementar a higiene feminina, mas primeiro temos que quebrar o tabu. Também quero que as pessoas percebam que isso não é apenas um filme para mulheres, é para homens também. Eles são 50% da população e os homens precisam ter essas conversas e defender o filme tanto quanto as mulheres.”

Essa fala de Zehtabchi é algo tão verdadeiro que o exemplo de como ainda há muito a ser feito veio, justamente, após a indicação do documentário ao Oscar. Em um artigo anonimamente escrito para o The Hollywood Reporter, um eleitor da academia disse: “Absorvendo o Tabu está bem feito, mas é sobre as mulheres ficando menstruadas, e eu não acho que nenhum homem esteja votando neste filme, apenas por que o assunto é nojento para os homens.” Seja no Oriente ou no Ocidente, em níveis mais altos ou mais baixos, o tabu existe e precisa ser quebrado. Falar sobre ele já é um ótimo começo.

Confira o trailer de Absorvendo o Tabu logo abaixo, e assista ao documentário na íntegra clicando aqui.

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