Inteligência artificial: Como fica a privacidade e a segurança dos meus dados?

Com as novas tecnologias evoluindo em ritmo quase que diário, a privacidade tem virado um grande ponto de convergência nas mais diversas discussões. No começo de janeiro (09), o Inova publicou o texto “Em algum momento a sua privacidade será invadida… E isso é normal”, onde discutimos um pouco sobre o assunto. No texto de hoje, é a vez de Weber Canova, vice-presidente de tecnologia da TOTVS compartilhar seus “two cents” sobre o assunto. Confira no texto abaixo.

A velocidade de surgimento de novas tecnologias e de adoção delas é cada vez maior. Essa evolução traz um crescimento exponencial de superfícies possíveis de ataques, ao mesmo tempo em que oferece inúmeras oportunidades às empresas. Diante do imenso volume de dados que precisam ser processados, algoritmos avançados simplificam a análise e a tomada de decisão. A inteligência artificial é a tecnologia mais adequada para superar esse desafio, mas traz consigo um receio: como fica a segurança e privacidade dos meus dados ao adotá-la?

Acreditamos que a inteligência artificial é uma tecnologia com um funcionamento muito similar ao Waze (…). Eles não compartilham informações pessoais, como cor ou placa do carro, mas partilham dados relevantes

Acreditamos que a inteligência artificial é uma tecnologia com um funcionamento muito similar ao Waze, que se diferencia do GPS e outros apps de mapas e rotas, porque existe a colaboração entre os usuários. Eles não compartilham informações pessoais, como cor ou placa do carro, mas partilham dados relevantes sobre o trajeto, como velocidade do trânsito, acidentes e, até mesmo, o preço do combustível em um posto de gasolina. Essas informações beneficiam a todos.

É exatamente isso o que acontece com a inteligência artificial. Os dados continuam sendo das empresas usuárias, mas todas se beneficiarão de um processo acelerado de evolução da tecnologia. Isso porque a mesma plataforma é usada por inúmeras empresas e, como ela tem capacidade de aprendizado, quanto mais essas organizações usarem a tecnologia, mais inteligente ela ficará. Portanto, se a máquina aprender a calcular o churn (métrica comumente utilizada por empresas SaaS – Software as a Service – para avaliar sua retenção de clientes) de uma companhia, essa inteligência será compartilhada e, a partir dali, ajudará a todos os usuários.

Mais do que isso, o compartilhamento de informações também possibilita um benchmarking com o mercado em geral – não só com uma empresa específica. Essa colaboração ajuda as organizações a conhecerem melhor o mercado em que atuam e tomar decisões mais assertivas visando um crescimento sustentável.

Porém, acreditamos que, assim como no Waze, precisa haver um equilíbrio entre privacidade e colaboração. A privacidade é fundamental para segurança das informações das companhias e para uma maior adoção da inteligência artificial. Por outro lado, a colaboração é a chave para evolução da plataforma, e, se não houver cooperação, esse processo será muito lento.

Outra questão que preocupa os gestores é a segurança das informações. Com a digitalização dos negócios, haverá mais sistemas e coisas conectados e, com isso, portas abertas para ataques. No caso de inteligência artificial, assim como em outros sistemas, uma das formas de garantir a segurança dos dados é o controle de acesso a eles por meio de políticas e senhas.

É possível, por exemplo, determinar restrições de acesso por pessoas, cargos ou áreas. Além disso, a tecnologia permite definir quais aplicações ou, até mesmo, campos poderão ser visualizados pelos usuários. Para se ter uma ideia, no setor de saúde, essa restrição permitiria que apenas o médico tivesse acesso aos seus exames. Em uma empresa, o campo em que está o CPF poderá ser visualizado apenas pela área de cobrança.

Embora exista um anseio enorme em relação aos benefícios de tecnologias inovadoras, como a inteligência artificial, há, ainda, muito receio em relação a elas. Porém, as empresas precisam estar cientes de que adotar a inteligência artificial não significa que elas estarão se abrindo mais ou menos e nem que estarão mais ou menos seguras do que antes. A tecnologia impacta o poder de inteligência das organizações e adotá-la pode ser fundamental para a sobrevivência da sua empresa no mercado.

Nota do editor: Completando as palavras do Weber Canova, em paralelo com a inteligência artificial, os meios de segurança tem evoluído exponencialmente. Uma pesquisa da VISA, em parceria com a AYTM Market Research, buscou entender a percepção dos consumidores em relação à autenticação por biometria e confirmou seu interesse em adotar novas tecnologias biométricas. A cada dez consumidores entrevistados, 9 estão familiarizados com a biometria. Os brasileiros têm uma forte percepção de que a biometria é mais rápida (85%) e mais fácil de utilizar (89%) do que senhas alfanuméricas.

Essa percepção sobre o uso da impressão digital, voz e reconhecimento facial, bem como a digitalização ocular, é quase universal. A maioria dos consumidores brasileiros já fez uso do reconhecimento de suas impressões digitais, com 6 em cada 10 pessoas usando-a regularmente.

Hoje, quase a metade dos brasileiros pesquisados (48%) já percebe que a biometria é mais segura do que as senhas. E 46% acreditam que usar biometria pode ajudar a eliminar a necessidade de se lembrar de várias senhas. Considerando que ainda é uma tecnologia nova e que está começando a ser aplicada em diversos setores, isso demonstra que há um interesse crescente e oportunidades.

A pesquisa mostra que 98% estão interessados em usar pelo menos um método biométrico para verificar sua identidade e, coincidentemente, 98% também estão interessados em usar pelo menos um método biométrico para fazer pagamentos. Ou seja, quase todos os brasileiros entrevistados estão interessados em receber opções de autenticação de pagamento usando impressão digital ou reconhecimento facial do emissor de seu cartão de pagamento. Do mesmo modo, os entrevistados confiam na indústria de meios de pagamento – mais do que provedores de outras indústrias, como de telefonia móvel– para armazenar informações biométricas sensíveis. Finalmente, mais de três quartos dos consumidores indicaram que se o seu emissor de cartão não oferecer autenticação biométrica, no futuro eles provavelmente trocariam de emissores.

Ainda de acordo com o estudo:

  • Os consumidores brasileiros concordam que a principal finalidade de inserir uma senha é proteger e confirmar sua identidade. Embora a maioria (90%) entenda que seu pagamento é protegido quando usam uma senha, 86% continuam preocupados com a segurança da senha.
  • Os consumidores normalmente usam várias senhas – 64% deles não usam senhas únicas para cada conta. Dois terços (66%) abandonaram uma compra on-line porque não tinham acesso ao seu cartão naquele momento e quase três em cada 10 (28%) abandonaram porque não conseguiram se lembrar da senha.
  • Em relação ao uso da biometria em pagamentos, o interesse é maior para utilizar o reconhecimento de impressões digitais (63%), mas é significativo também para o reconhecimento ocular (42%) e o facial (41%).
  • O reconhecimento de impressão digital é o método percebido como o mais seguro e confortável para os consumidores, seguido de reconhecimento ocular e facial.
  • Os consumidores brasileiros são mais propensos a dizer que confiariam em seu banco para armazenar seus dados biométricos (71%), seguido pela empresa de tecnologia de pagamento eletrônico (49%). Apenas 4% dos consumidores não confiariam em nenhuma instituição. Mais de sete em cada 10 consumidores se afastariam de um banco, rede de cartões ou provedor de telefonia celular que não ofereça autenticação biométrica no futuro.

A pesquisa foi realizada entre setembro e outubro de 2017, foram entrevistados mais de 10 mil pessoas em 17 países como Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Japão, Índia, Rússia, África do Sul, Estados Unidos, entre outros de grande expressão e diversidade. Você pode acessar o estudo completo neste link.

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