ODS nº06: Água potável – 4 soluções para a filtragem d’água

Neste texto vamos falar sobre o ODS nº 06 – Água Potável e Saneamento. De acordo com Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), “a escassez de água potável afeta mais de 40% das pessoas do mundo, um número alarmante que irá crescer com o aumento da temperatura global do planeta, resultado da mudança global do clima. Mesmo após 2,1 bilhões de pessoas passarem a ter acesso à água potável e de qualidade desde 1980, a possível diminuição desse número é um problema central que impacta todos os continentes.”

Já de acordo com a plataforma Agenda 2030 (do PNUD), “a água está no centro do desenvolvimento sustentável e das suas três dimensões – ambiental, econômica e social. Os recursos hídricos, bem como os serviços a eles associados, sustentam os esforços de erradicação da pobreza, de crescimento econômico e da sustentabilidade ambiental. O acesso à água e ao saneamento importa para todos os aspectos da dignidade humana: da segurança alimentar e energética à saúde humana e ambiental.”

Você pode conferir as metas do objetivo nº 06 neste link.

É quase que irônico pensar que, em um planeta onde 71% da superfície é coberta por água, ainda existem pessoas que sofrem com a escassez dela. Tentamos desbravar novos planetas e buscamos água em Júpiter, mas não conseguimos levar água para várias regiões do nosso país. É quase tão irônico quanto a questão da fome, em um momento em que outra parcela da raça humana sofre com a obesidade. A minha impressão é que vivemos períodos de extremos, quando a palavra do momento deveria ser equilíbrio.

A grande questão é que a água não serve apenas para beber. Ela, como dito nos parágrafos acima, é um item vital no desenvolvimento sustentável. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), a escassez de água é um dos fatores responsáveis pelos fluxos migratórios. Conhecidos como “refugiados do clima”, esses grupos estão presente em diversos países pelo mundo, entre eles países do norte da África, mas, também, na Espanha e Portugal.

Apesar de sofrermos com escassez em vários pontos do país, o Brasil é um dos países mais privilegiados nesta questão. Somos donos de 11% da água doce do mundo e, segundo o livro “The Drinks Water Book”, do pesquisador americano Colin Ingram, também possuímos o melhor sistema de filtragem conhecido, o filtro de barro. Sim, estamos falando daquele filtro de barro que você encontra nas casas brasileiras. Segundo o estudo publicado no livro, o nosso filtro é capaz de reter pesticidas, ferro, chumbo (95% de retenção), alumínio e cloro. Além disso, ele também é capaz de reter a criptosporidiose, doença causada pela água contaminada.

Além do nosso tão conhecido filtro de barro, existem outras soluções que buscam a produção de água potável. No texto de hoje, o InovaSocial reúne 4 ideias e você confere abaixo.

1. A água de cocô e o bilionário Bill Gates

Quem não lembra da emblemática cena do bilionário americano Bill Gates tomando água extraída de fezes humanas? Em 2015, quando o primeiro protótipo da Omniprocessor (máquina criada pela Janick Bionergy e que recebeu investimento da Fundação Bill & Melinda Gates) foi apresentado, a imagem de Gates bebendo o copo d’água rodou o mundo. Desta cena para os dias de hoje, muita coisa já aconteceu.

Como prometido, o protótipo foi instalado em Dakar, no Senegal, e já processou mais de 700 toneladas de lodo fecal. No entanto, lições foram aprendidas com o projeto piloto e a empresa entendeu que atualizações eram necessárias no sistema, visto que o clima extremo e a maresia da cidade impactava diretamente na máquina. De acordo com a Janick Bionergy, o Omniprocessor deve fazer a migração gradualmente para a comunidade e, dentro de dois anos, o objetivo é que uma unidade seja gerenciada pelo departamento de saneamento do Senegal.

2. O filtro portátil da Sawyer

De acordo com a empresa americana Sawyer, o seu sistema de filtragem portátil é capaz de eliminar 99.99% de todas as bactérias, como salmonella, leptospirose, E. coli, cólera e outros protozoários. A parte interessante do filtro da Sawyer é o seu tamanho e sua tecnologia (micro tubos de fibra oca e em forma de “u” prendem os contaminantes e filtram a água). Isso permite que ele seja adaptado em qualquer tipo de reservatório e/ou na ponta de uma torneira, por exemplo.

As membranas de filtragem da Sawyer são reutilizáveis – basta lavar com uma seringa, que o sistema recupera 98,5% da taxa de filtragem -, tornando o sistema sustentável.

3. A mini Amazônia do designer britânico

O terceiro projeto não é algo tão funcional, mas é algo que mostra bastante a importância das floresta amazônica e das áreas verdes como um todo. Criado como projeto de conclusão de curso da Royal College of Art, na Imperial College London, o projeto Drop by Drop, do designer Pratik Ghosh, mostra a nossa relação com a água potável natural e como as florestas são grandes sistemas de filtragem.

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4. A Quartz e o sistema de purificação por raios UV

A quarta solução é algo bem mais “high tech”. A Quartz não é um sistema de filtragem, mas levanta outra questão bem interessante. Em um mundo em que, usar copos plásticos é uma afronta a natureza e frascos (a.k.a. copos) não esterilizados são tão comuns, este sistema é uma garrafa térmica que elimina microorganismos com luz UV, esterilizando sua garrafa 6 vezes por dia (o sistema é ativado a cada 4 horas ou com toque na tampa).

Usando ondas de 280nm, o sistema dura 2 meses com uma carga completa e a lâmpada interna é um LED UVC que, em 60 segundos, faz uma esterilização interna de grau médico. O grande ponto negativo é o preço… Cerca de US$ 49.

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