Como a Internet me ajuda a lidar com as questões acerca do que é ser mulher nos dias de hoje

O que as mulheres realmente querem?

Bom, eu posso começar dizendo que não quero flores. Mas eu quero flores… E também respeito. Não única e exclusivamente por ser mulher, mas por ser um ser humano que já precisa lutar suas batalhas diárias e não queria ter que se preocupar com a forma o mundo externo o percebe e o trata.

Desde antes de o nascimento, homens e mulheres são colocados dentro de “caixinhas de esteriótipos” que não beneficiam nenhum dos lados, e eu certamente não estou feliz com a minha caixinha. Em um momento, lutei para me encaixar nessa sufocante caixa. em outro, ao me permitir viver fora dessa caixa, achar que eu estava livre foi um grande engano.

“Você é diferente das outras mulheres.”

“Você é mais ‘de boa’.”

“Com você não tem frescura.”

“Você gosta de jogar video game? Caramba, você deve ser a melhor namorada do mundo.”

Finalmente, eu havia conseguido me encaixar em algum lugar. Um lugar muito melhor do que o outro. E eu achava que era uma mulher superior, mais interessante e mais forte do que aquelas que se sentiam confortáveis em suas caixas de esteriótipos.

“Não suporto mulher muito menininha.”

“É muita frescura…”

Foi então que uma ferramenta me mostrou que, assim como existiam milhões de mulheres diferentes de mim, existiam milhões de mulheres iguais a mim. Eu aprendi que não preciso estar em caixa alguma, não preciso agradar ninguém para me se sentir bem com quem sou, basta agradar a mim mesma.

Aprendi que tudo bem se casar e viver para os filhos e família, desde que essa seja sua escolha.

Aprendi que tudo bem não querer ter filhos.

Aprendi que tudo bem o homem cuidar da casa, enquanto a mulher trabalha.

Aprendi que existe uma vasta possibilidades de coisas que eu posso ser, desde que seja o que eu quero, desde que seja o que me agrade.

E essa tal “ferramenta” é a internet. Poder me conectar com pessoas ao redor do mundo, ouvir e ler suas histórias, fez com que eu me sentisse cada vez mais um ser único, em meio ao mar de diferenças e semelhanças com outros seres únicos.

As mulheres que produzem conteúdo na Internet hoje me ajudam com uma série de questões que talvez eu não saberia lidar em um mundo não conectado. E muito mais: elas até antecipam questões que provavelmente me rondarão quando tiver filhos, quando tiver meus 30, 40, 50 anos. E essas mulheres não só me ajudam a lidar com essas questões presentes e futuras, como também estão abrindo caminhos para quem vem atrás, o que é essencial.

De fato, é muito extensa a lista de mulheres com quem eu aprendo coisas novas na internet a cada dia, e isso é algo muito rico. Obviamente, essas mulheres não produzem conteúdo apenas para mulheres, todo esse conteúdo pode e deve ser consumido por todos, principalmente porque exercitar nossa empatia é sempre algo muito bom.

Eu tenho aprendido cada vez mais sobre a maternidade real com a Hel Mother:

Eu aprendo sobre autoaceitação com a Luiza Junqueira:

E com a Alexandra Gurgel:

E aprendo como é gostoso ser você mesmo em um mundo complexo com a Jout Jout:

Sempre que me perguntam em qual época da história eu gostaria de viver, minha resposta não pode ser diferente de hoje. Eu sei que a moda dos anos 60 era realmente de tirar o fôlego, os carros da década de 50 eram maravilhosos e sei que as bandas mais ouvidas de 30 anos atrás talvez fossem muito melhores do que as de atualmente, mas não existe nada cultural mais forte que defina minha escolha do que a forma como a mulher foi tratada em cada um desses momentos.

Não, não é fácil ser mulher hoje. Nós precisamos lidar com altos índices de violência contra a mulher, nós ainda não estamos ocupando tantos cargos de liderança quanto deveríamos, nós estamos em relacionamentos abusivos ou vendo pessoas próximas passarem por isso, nós precisamos lutar diariamente por cada pingo de respeito que queremos receber, nós sofremos preconceito até mesmo nesse lugar incrível – mas não perfeito – que a Internet . Eu ainda vejo pais com um semblante levemente preocupado quando descobrem que o recheio do bolo do “Chá Revelação” é rosa, eu ainda ouço que a cozinha de casa “é a minha” e ainda vejo mulheres e homens sendo colocados nas mesmas caixinhas de esterótipos em que fui colocada. Mas, sem dúvidas, ser mulher hoje é muito melhor do que era ontem. E eu espero que amanhã seja melhor ainda. E, assim como a internet me ajudou a abrir os olhos para um novo mundo hoje, ela irá guiar e unir mulheres mundo afora por muito tempo.

Isso não é apenas um desejo, é uma realidade.

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