Inteligência artificial em 2018: Da política à exploração espacial

“A inteligência artificial (IA) ameaça a existência da nossa civilização”. Quando Elon Musk fez essa afirmação, ele se referia ao uso de IA em armas. Ele não está errado, exércitos de robôs militares autônomos seria algo digno de ficção científica invadindo o mundo real. Tanto que o discurso de Musk é reforçado por mentes como o físico Stephen Hawking e o engenheiro Steve Wozniak (cofundador da Apple). Enquanto eles se preocupam com “exterminadores do futuro”, nós, meros mortais, precisamos olhar a inteligência artificial sob uma outra ótica.

2018 será o ano da inteligência artificial. Isso é um fato, mas o que isso muda as nossas vidas? Segundo estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP), o robôs virtuais (bots) influenciam os debates políticos desde 2014. O exército de perfis fakes se vale de uma característica do ser humano, o comportamento de manada, para influenciar decisões. Basicamente, nossa mente tende a seguir um determinado grupo, sem que haja uma reflexão individual, e isso pode ser usado para definir opiniões sobre este ou aquele candidato. Um pouco assustador, mas é a realidade.

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Ouça aqui o nosso podcast sobre os bots na política: Operação Serenata de Amor e a inovação cívica no Brasil

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Se você está pensando “ufa, estou livre porque não uso redes sociais” ou “nunca, eu não vou mudar o meu voto por causa de comentários no Facebook”, saiba que pode estar errado. A fagulha pode começar nas redes, mas o incêndio se alastra para a vida real. Segundo Lee Foster, da FireEye, empresa americana de segurança cibernética que identificou alguns perfis fakes criados por russos nas eleições americanas, em entrevista para a BBC, essa tentativa de manipulação pode não fazer as pessoas mudarem seus votos. “Mas podem passar a ver o processo eleitoral todo como mais corrupto, diminuindo sua confiança na democracia”, afirma.

Mas nem tudo é perfil fake ou bot do mal

A inteligência artificial pode (e deve) ser usada para muita coisa boa. De diagnóstico médico, passando por exploração espacial e outras aplicações, o uso da IA deve ganhar cada vez mais espaço. Vale ressaltar que o uso de inteligência artificial não substitui os humanos. Como assim? Vamos imaginar um caminhão autônomo. Ele ainda precisará de um humano supervisionando. Para quem não viu, vale a pena ler o texto “Navios cargueiros autônomos: Eles podem mudar os mares e as cidades”. Mas temos outros exemplos, como:

O uso de IA para garimpar o espaço: A Universidade do Texas, em parceria com o Google, aplicou inteligência artificial na análise de dados da missão Kepler, da Nasa, e descobriu dois novos planetas em um conjunto de informações que já haviam sido analisadas por astrônomos. No futuro, os astrônomos só precisarão autenticar essas descobertas e terão mais tempo para focar em pesquisas, deixando a parte de “garimpo” para uma IA específica.

Os filhos de uma IA: Meios de comunicação adoraram publicar a manchete “Inteligência Artificial do Google cria outra mais inteligente”, no entanto, a frase tem um quê sensacionalista. A AutoML (Automated Machine Learning) realmente criou uma nova IA, mas foi para atender uma demanda específica. Conhecida como NASNet, a nova IA foi desenvolvida pela AutoML para reconhecer objetos (pessoas, carros, etc.) em um vídeo em tempo real. Assim como no caso do “garimpo espacial”, a ideia de ter micro aplicações de IA para atividades específicas aumenta a eficiência e velocidade nos resultados.

A democratização da IA: A TOTVS anunciou que levará a sua plataforma de dados e inteligência artificial, a Carol, para todos os seus clientes, independente do porte e segmento de empresa – seja ela grandes ou micro. Presente nas soluções para ponto de venda (o Bemacash), a Carol avalia o mercado-alvo, concorrência, custos, sazonalidade, entre outros fatores ajudando – principalmente o microempreendedor – no processo de precificação. Ou seja, um vendedor de cachorro-quente saberá se o seu preço está alto ou baixo, usando apenas uma ferramenta de fácil acesso.

Traduzindo galinhas: Um grupo de pesquisadores da Universidade da Georgia, liderados pelo engenheiro Wayne Daley, estão buscando traduzir os sons galináceos, a fim de ajudar granjeiros com informações do bem estar dos animais. Se uma inteligência artificial consegue identificar padrões e traduzir uma comunicação tão peculiar, imagine o que ela pode fazer com idiomas estruturados. Traduzir do finlandês para o português? Helppo nakki (mole-mole).

Para encerrar a lista de exemplos, não deixe de ouvir o podcast (abaixo) com a Stéfany Mazon, technical sales e developer advocate da IBM Brasil, onde conversamos sobre inteligência artificial e como as novas tecnologias vão mudar o cenário da inovação social (na publicação original do podcast reunimos mais links da nossa conversa).

Esses são apenas alguns exemplos de utilização de IA que já estão em andamento. Para 2018, eu arrisco em dizer que o crescimento das aplicações será exponencial. Seja no espaço ou no galinheiro, a inteligência artificial deve invadir nosso cotidiano. Só nos resta decidir se iremos usá-la para o bem ou para o mal.

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