Burnout: Quando a dedicação ao trabalho ultrapassa o limite da saúde física e mental

Nossas vidas conectadas fazem com que seja muito fácil trabalhar a qualquer momento, em qualquer lugar. Ao mesmo tempo que toda essa conectividade faz com que seja difícil se desligar mentalmente do trabalho. Por isso, não é surpresa o fato de que cada vez mais pessoas estão passando por períodos de estresse intenso, trabalhando tanto que seu bem estar está sendo prejudicado.

Pensando nisso, precisamos falar sobre o conceito de “burnout” (no Brasil, conhecido como Síndrome do Esgotamento Profissional), um distúrbio que vem atormentando principalmente os profissionais mais jovens. Infelizmente, existe a ideia errada de que é preciso se dedicar além dos seus limites para que, um dia, uma promoção chegue. E, com todos os benefícios que a sua nova posição hierárquica te proporciona, você irá finalmente poder relaxar um pouco e ter tempo para priorizar o seu bem estar. Mas a verdade é que uma posição de trabalho mais privilegiada não tem nada a ver com isso. Se você já se esforçava além do limite que seu corpo e sua mente podiam aguentar, a tendência é que você não pare até, de fato, impor seus próprios limites.

Mas, antes de falarmos mais sobre burnout, é preciso deixar bem claro que trabalhar duro e se dedicar à sua vida profissional e seus objetivos de vida é diferente de ir além dos seus limites. Ter equilíbrio entre vida profissional e pessoal não deveria ser um privilégio reservado a poucas pessoas, nem é uma questão de se dedicar mais ou menos a um projeto, mas sim de priorizar algo que vale muito mais do que qualquer emprego ou qualquer salário: sua saúde física e mental (que basicamente são os fatores que precisam estar muito bem cuidados para que você tenha um bom desempenho no trabalho).

Charlene Rymsha é especialista em Millennial Burnout e fundadora da Everyday Coherence, um sistema de recuperação de burnout, ela explica que burnout é o esgotamento de recursos internos devido ao estresse crônico. O que torna o burnout tão perigoso é essa é uma condição raramente visível do lado de fora, e que vai tomando espaço lentamente. Além disso, uma marca registrada do burnout é fazer com que você se esforce para parecer que está bem, não importa o que aconteça, mesmo quando você sentir que está prestes a entrar em colapso.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo ISMA-BR em 2018, 72% da população brasileira sofre alguma relacionada ao estresse. Entre essas pessoas, 32% têm a Síndrome do Esgotamento Profissional.

Como saber se você está vivenciando apenas um dia ruim ou passando por um esgotamento profissional? Segundo especialistas estes são os sinais de que você está perto de ter um episódio de burnout:

Falta de energia: Você luta contra uma fadiga constante, apesar de dormir o suficiente. Você se sente cansado demais para fazer coisas que costumava gostar fazer antes, como se exercitar ou sair com os amigos. Você não aproveita as folgas e, basicamente, passa seu tempo de descanso se recuperando física e mentalmente do período que passou trabalhando e se preparando para a próxima jornada de trabalho.

Falta de tempo: A desculpa “Eu não tenho tempo!” vem a calhar em alguns momentos mais atribulados, mas se você literalmente não tem tempo para ter uma vida fora do trabalho, isso é um problema.

Problemas para manter hábitos saudáveis: Ninguém é perfeito, mas geralmente hábitos alimentares saudáveis, exercícios e rotinas para dormir são a base do seu bem-estar. Se você está vivendo de delivery porque não tem tempo ou energia para cozinhar, deixa de praticar exercícios e não dorme o suficiente, pode estar caminhando diretamente para um episódio de esgotamento.

Problemas com o sono: Você não consegue dormir pensando no trabalho, e, se consegue pegar no sono, sonha com o trabalho. Ou então, você acorda todas as manhãs se sentindo negativamente ansioso.

Dor física: Sim, a exaustão mental pode te afetar fisicamente, causando problemas gástricos e tensão muscular.

Sensação de sobrecarregamento e insatisfação: Se você está tão sobrecarregado que seu trabalho, que antes era algo que você gostava de fazer, hoje não é mais gratificante, talvez seja por você estar esgotado demais para continuar no mesmo ritmo.

Caso você sinta que está passando por um episódio de burnout, a primeira coisa a se fazer é parar para pensar onde e como seu tempo está sendo investido. Tentar se destacar em tudo o tempo todo pode não ser um padrão fácil de se manter a longo prazo.

Redefina suas prioridades e coloque o autocuidado no topo da lista. “O cuidado pessoal é a melhor forma de prevenir o burnout, que significa literalmente priorizar suas próprias necessidades para garantir que sua saúde esteja boa”, diz Charlene Rymsha. Ela recomenda meditar, tomar banhos quentes, rir com amigos e fazer trabalhos manuais.

Além disso, uma mudança de ambiente pode fazer maravilhas para mudar sua perspectiva. Caso não seja possível tirar uma semana de férias, tirar um dia ou dois para descomprimir pode ajudar a aliviar o estresse, mesmo que seja durante o fim de semana. Use esse tempo para relaxar e deixe o trabalho fora da sua rotina durante o período de descanso.

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Na série Friends (1994-2004), Phoebe Buffay se recupera após um ataque cardíaco causado pelo estresse no trabalho, no episódio “The One That Could Have Been” (S06E16).

Antes de pensar “Eu não posso tirar uma folga!”, considere a seguinte ideia: você será muito mais produtivo a longo prazo se tiver alguns dias para recarregar as energias. Caso sua saúde seja comprometida por um episódio de esgotamento profissional e você seja “obrigado” por um médico a parar de trabalhar por um determinado tempo, esse período de “folga” será muito maior.

Mas, quando você já tentou todas as opções anteriores e os sintomas de burnout persistem, é preciso entender que chegou a hora de buscar a ajuda de um profissional, que irá te ajudar a efetivamente lidar com esses obstáculos internos.

Em momentos de esgotamento, você pode se encontrar procurando emprego em outro lugar, ou pensando em mudar completamente de carreira. Antes de tomar decisões drásticas, é importante identificar se você está simplesmente trabalhando demais ou se o trabalho real é o culpado.

Ao enfrentar um episódio de burnout, é preciso se perguntar se as demandas e horas que você está enfrentando são uma exigência comum em todas as empresas, ou apenas na que você está. Ou seja: isso é um problema do mercado ou algo específico de seus líderes? Além disso, é importante identificar se seu alto nível de ansiedade é causado por fatores externos ou internos. A maioria dos profissionais ambiciosos são grandes empreendedores e, por natureza, querem se destacar em todas as áreas em que atuam. Você pode estar trabalhando (em excesso) em busca de uma promoção dentro da empresa em que você trabalha hoje, mas talvez esse seja o fator que faz com que você sinta cada vez menos prazer em sua vida profissional.

Se este for o caso, novamente, a priorização é a chave. Mas se você perceber que sua carreira está afetando sua qualidade de vida, talvez seja hora de reavaliar. Às vezes, ignoramos os sinais de que estamos em um ponto de ruptura. Se você está desenvolvendo problemas de saúde por causa do trabalho ou se sua ansiedade está no limite, é muito importante dar um passo para trás e avaliar sua situação.

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