Será que estamos preparados para o coworking?

Coworking é, sem dúvidas, uma tendência global. No entanto, será que o autônomo brasileiro ou as pequenas startups estão preparadas para compartilhar um espaço coworking? Será que o brasileiro está preparado para a cultura do coworking? São tantas perguntas, que o meu objetivo não é dar uma resposta definitiva, mas fazer você refletir. Por isso, vamos “começar do início”.

Para quem não sabe, coworking é um modelo de trabalho que se baseia no compartilhamento de espaços e recursos. Em um mundo onde o consumo consciente é uma discussão recorrente e o home office torna-se uma alternativa para diminuir gastos de grandes escritórios, o coworking parece ser a solução perfeita. Será?

Coworking não é só compartilhar espaço, é compartilhar ideias, networking e, assim, criar um microambiente inovador. É aqui que temos outro detalhe. Nosso país ainda falha em leis que protejam marcas e patentes. A cultura de registrar uma ideia e os processos burocráticos (sem fala no custo), faz com que o brasileiro não esteja acostumado em proteger legalmente suas criações. Isso acaba refletindo em um comportamento peculiar, o do “não posso falar minha ideia, porque vão roubar”. Já vi diversos níveis deste tipo de pensamento, daqueles que pedem para você assinar um termo de confidencialidade antes de um café, até o nível que beira o ostracismo, onde o empreendedor se fecha tanto em seu mundo, que de lá não sai nada (nem mesmo a ideia inovadora).

Outro ponto que me leva a pensar sobre a questão do coworking é a evolução do modelo de trabalho. Os países que estão acostumado com os novos modelos, já viram seus empreendedores saírem dos escritórios tradicionais, migrando para as cafeterias (principalmente na época onde a internet era algo limitado), depois seguindo para o modelo de home office e, por fim, chegando ao coworking. Sinto que ainda estamos alguns passos atrás. Fazemos home office, mas as reuniões ainda são na cafeteria (também não entendo o bloqueio de alguns empreendedores com as videoconferências).

Considerada uma das 25 mulheres negras mais influentes da internet no Brasil, a empreendedora Monique Evelle também levantou algumas questões sobre o coworking em Salvador. Em entrevista para Monique, a responsável pelo NOSSA: Casa Colaborativa afirmou que “existe uma diferença entre espaço compartilhado e espaço colaborativo. O que tenho visto é que é mais ‘fácil’ usar o espaço compartilhado, aonde você paga uma taxa e não precisa se envolver”. Pensamento que nos leva a nossa última indagação. Será que o brasileiro não quer se envolver neste microambiente e vê, no coworking, uma solução barata para o escritório?

A verdade é que tudo isso acaba refletindo no modelo de coworking e nos leva pensar, será que estamos preparado para o trabalho compartilhado? Dê a sua opinião na enquete abaixo e participe nos comentários. O InovaSocial quer saber a sua preferência.

___

Gostou do texto e quer fazer parte da nossa comunidade? Mande uma sugestão de pauta, um texto autoral ou críticas sobre o conteúdo para contato@inovasocial.com.br

Um comentário

  • Olá, concordo com os pontos levantados, porém acredito que se não houver um estímulo por parte dos empreendedores que consigam trazer estas possibilidades de novas soluções e alternativas ao caos que presenciamos, como dificuldades de locomoção, custos de contratação, burocracias que envolvem o desenvolvimento de novos negócios, estaremos apenas estagnados, involutivos. Sem contar o dinamismo que vivemos nas novas gerações e a necessidade de interação, flexibilidade e ambientes menos “formais” de trabalho. Acredito que as inovações e evoluções precisem sempre ser um choque, para que com a convivência se tornem algo comum, assim como muitas coisas das quais conhecemos hoje! Um abraço!

Deixe uma resposta

Receba conteúdo exclusivo

Olá! Seja bem-vindo ao inovaSocial. Para não perder as nossas próximas novidades e receber conteúdo exclusivo, assine agora a nossa newsletter.
Insira o seu e-mail
Fique tranquilo, nós nunca enviaremos spam