Crianças têm mais a ensinar do que imaginamos

O clima estava bem tranquilo e finalizávamos mais um dia na Campus Party. Estava acontecendo um campeonato de Just Dance (um jogo de dança para Kinect), uma garotinha se aproximou e comecei a conversar com ela como costumava conversar com qualquer criança: me agachava, fazia uma voz levemente mais fina e em um tom bem mais simpático do que o normal. Minha surpresa se deu quando olhei sua credencial para ver seu nome e me deparei com a primeira surpresa: ela carregava em seu pescoço uma credencial de palestrante. Existem muitas crianças na Campus Party, elas viajam com seus pais e passam a semana toda respirando tecnologia, mas Manoela Peixoto foi a primeira criança palestrante que eu conheci. Mas minhas surpresas não pararam por aí.

“Sobre o que é a sua palestra, Manu?” Perguntei, imaginando que ela falaria sobre seu canal no YouTube sobre bonecas ou algo assim.

“Vou falar sobre como eu ganhei meu primeiro hackathon com oito anos e como comecei a empreender com seis.” Ela respondeu, com uma naturalidade ímpar.

Nesse momento, fiquei literalmente sem palavras. Meus olhos encontraram os de seu pai, Evandro, que tinha um discreto sorriso orgulhoso no rosto. Ele, já acostumado a participar de hackathons, levou Manoela para o HackaNoel “apenas para ela ver como era,” ele disse, a filha teve uma ideia, eles apresentaram e ela saiu de lá como vencedora.

Mas Manoela tem um espírito inovador e empreendedor há tempos: aos seis anos, ela começou a empreender quando decidiu vender pulseiras e quadros no salão de beleza de sua mãe, para comprar uma boneca.

Manoela tem nove anos, palestrou à 1h15 no palco da Campus Party e atraiu centenas de espectadores. E, além disso, ela me deixou com uma pergunta: Por que nós tratamos crianças como seres bobinhos e incapazes de fazer grandes coisas?

Claro, crianças não devem ser tratadas como adultos, mas a história da Manoela serve de exemplo para todos que, muitas vezes, uma menina de nove anos tem muito a falar e a ensinar, portanto, deixemos as vozes finas e a simpatia exagerada de lado e coloquemos a curiosidade e a vontade de aprender à frente, independente de cor, gênero ou até mesmo idade.

Abaixo, assista ao vídeo do astrofísico Neil deGrasse Tyson, que também inspirou esse texto. E, em seguida, assista à inspiradora Manoela Peixoto apresentando seu projeto vencedor do HackaNoel.

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Um comentário

  • Foi a maior emoção da minha vida, ver minha filha no palco.
    No momento que alguém perguntou pra ela “Quem são seus heróis ?” e ela falou que eram os pais, senti meu coração quase explodindo.
    Eu chorei de emoção ali no meu canto , eu percebi ali que qualquer criança pode fazer a diferença.
    A Manoela é igual a qualquer outra criança que brinca, fala, corre mas nos acreditamos nela e todos ali saíram sabendo que outras crianças podem fazer a diferença também basta acreditar.

    Que o exemplo dela sirva para outros pais…

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